Layoffs no Brasil: o que provocou o fenômeno nas startups?

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publicado em
10/26/2023

Nos últimos meses de 2022, o Brasil viu uma série de movimentações diferentes no cenário de inovação, incluindo as startups de sucesso. Diversas empresas como Loft, Quinto Andar e Facily anunciaram layoff (as demissões em massa). O que gerou instabilidade e receio entre os colaboradores de startups por todo o país.

Uma das causas entendidas para esse fenômeno é a estabilização do mercado de inovação, que viveu uma verdadeira euforia em 2021. As ditas startups de sucesso receberam aportes altos de investimentos em venture capital. Foi nesse período que a América latina se tornou líder em investimentos de risco.

A estabilização não é o único motivo para as demissões, a recessão foi incentivada por outros fatores, que você vai ver a seguir.

A captação de recursos das startups

As startups são avaliadas por sua capacidade de gerar lucro no futuro, caso ela atinja os objetivos traçados no plano de negócio da empresa. Empresas desse tipo participam de rodadas de investimentos para captar dinheiro, chamados de venture capital, ou capital de risco.

Do outro lado estão os investidores. Eles estão cientes do alto risco dos investimentos, porém também sabem que o retorno pode ser grandioso e proporcional ao risco oferecido.

As startups precisam convencer esses investidores de que trarão lucros vantajosos após estarem consolidadas. Todas as etapas de crescimento rumo a uma startup de sucesso são descritas no plano de negócio das marcas.

Ao convencê-los, essas startups promissoras recebem o aporte financeiro e usam esse dinheiro para a expansão do negócio até a próxima rodada de investimento, em um ciclo que se repete até que a empresa se torne independente.

Crescimento acelerado

A startup cresce astronomicamente em pouquíssimo tempo devido aos recursos externos de venture capital, mas demora até dar resultados que compensem os altos investimentos iniciais.

Por isso, as startups unicórnio são tão valorizadas, geralmente elas já atingiram patamares em que o lucro e o investimento foram equilibrados, tornando-se startups de sucesso.

Antes do layoff: a euforia das startups em 2020

No entanto, como em praticamente tudo na sociedade, as startups também enfrentam crise que são muito influenciadas por razões geopolíticas, tendências de economias globais e crises no país, que afetam o comportamento dos investidores.

Para o CCO e fundador da MOTIM, Silas Colombo, uma das razões para o movimento foi a  estabilização do mercado, que recebeu altos investimentos a partir de 2020.

Taxa Selic

De 2016 a 2020 a taxa Selic sofreu quedas constantes, alcançando a mínima histórica em agosto de 2020.

Em sua nona redução consecutiva, a Selic caiu de 2,25% ao ano para a mínima histórica de 2% ao ano. Essa mudança, anunciada pelo Comitê de Política Monetária, deu continuidade ao movimento de redução dos juros no Brasil iniciado em julho de 2019.

Baixa da taxa Selic no Brasil | Startups de sucesso

A baixa da Selic estimulou investimentos em ativos de risco, que apesar desse nome, podem trazer grande rentabilidade aos investidores.

Volume de venture capital

Com toda essa movimentação, o cenário se tornou positivo para investidores de venture capital, que colocaram os olhos nas startups brasileiras.

Por isso, o volume de investimento só aumentou. Segundo dados do portal Distrito, entre 2020 e 2021, o número de investidores que colocaram dinheiro em startups subiu 34% no Brasil.

Em 2021 tudo mudou

Com a inflação no país se tornando cada vez maior, o Banco Central passou a subir a taxa Selic para conter a crise.

De acordo com o portal G1, em maio de 2022 “O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central realizou o 10º aumento seguido da taxa básica de juros da economia”

De janeiro de 2021 até maio de 2022, o percentual que era de 2% ao ano, subiu para 12,75%. E a tendência é de que essa alta continue.

Altas da taxa Selic no Brasil | Startups de sucesso

Como a taxa Selic tem aumentado, significa que existe um custo maior para as empresas pegarem crédito. Isso fez com que os investidores buscassem alternativas com riscos menores. Ou seja, fugindo das rodadas de investimento em venture capital - o que diminui os recursos disponíveis para startups.

Inflação americana

Não bastassem as consecutivas altas da taxa Selic, os Estados Unidos enfrentam sua maior inflação nos últimos 40 anos, fazendo com que as taxas aumentem lá também.

O aumento dessas taxas de investimento é uma forma de atrair capital para o país e valorizar sua moeda. Assim, os Estado Unidos impactam mercados emergentes como o Brasil, já que se torna mais lucrativo e seguro investir lá.

Layoffs  nas startups de sucesso

Na prática, vivemos uma intensa diminuição do apetite por investimento de risco (fundamental para as startups). Mas os  investidores que já colocaram dinheiro em negócios querem ver o retorno do capital investido.

Por isso, eles passam a cobrar resultados melhores das startups ou, ao menos, indicadores de que conseguirão superar o custo do investimento feito.

Do lado dos empreendedores de startups existe a incerteza de que uma nova rodada de investimentos vá acontecer. Por isso, mesmo as startups de sucesso precisam segurar dinheiro em caixa, cortando gastos e reduzindo o número de colaboradores, o que gera demissões em massa.

É preciso desacelerar

O que tudo isso nos ensina em relação às startups de sucesso?

As crises e movimentações econômicas sempre existiram, e sempre vão existir. Em alguns momentos, como em 2020, elas impulsionam o crescimento dos negócios como um todo. Em outro, como vivemos em 2022, são responsáveis por crises como a das demissões em massa.

Se a antiga regra para startups era a de crescer muito e repentinamente com investimentos de venture capital, e a longo prazo gerar resultados que paguem os investidores, agora, parece que o ideal é crescer menos, mas mantendo uma rentabilidade saudável e contínua, para que crises não obriguem as startups de sucesso a demitir seus colaboradores, o que é um forte abalo em sua reputação de marca.

É possível salvar a reputação dessas marcas?

As startups vão reagir mais depressa

Todo momento de crise é, também, um momento de oportunidade, e o empreendedor de inovação sabe disso como ninguém.

Podemos esperar que startups encontrem novas maneiras para continuar avançando. Seus esforços ao longo dos próximos anos devem se concentrar principalmente na releitura de seus planos de negócio e captura de investimentos.

O  empreendedor, especialmente o de inovação, faz ações preventivas para manter sua estabilidade. As startups de sucesso sentem e reagem à mudança no cenário de crise mais rápido que as demais empresas. Estratégias de comunicação são uma forma de enfrentar o problema.

A crise já havia sido percebida bem antes das demissões acontecerem. Os empreendedores buscaram formas de contorná-la com para evitar prejuízos maiores no futuro. O esperado é que, assim como as startups de sucesso perceberam a crise mais depressa, elas se reestabeleçam do layoff antes dos demais modelos de negócios.

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